
A campanha será realizada durante o período de 9 de agosto a 12 de setembro de 2008, com duração de cinco semanas. O lançamento será no dia 9 de agosto com ampla mobilização e acontecerá simultaneamente com a segunda etapa do Dia Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. Neste dia, o enfoque da vacinação será a Vacinação da Família. O Dia Central da campanha nacional será 30 de agosto de 2008, um sábado, para permitir que a população alvo (idade economicamente ativa) possa ter acesso à vacinação.
A vacinação dos povos indígenas terá uma ação diferenciada, já iniciada no mês de abril. Essa estratégia vem sendo realizada anualmente para alcançar os povos que residem em locais de difícil acesso geográfico. O sucesso obtido nos últimos anos, através do resgate e vacinação de resíduo de suscetíveis, permite demonstrar o avanço na proteção da população indígena.
Como o acompanhamento da vacinação da população indígena se faz através do registro nominal de cada aldeia, as doses das vacinas aplicadas serão consideradas como dose de campanha e o histórico da vacinação anterior será considerado como dose válida. A campanha nesta população será seletiva e a vacina utilizada será a VTV.
- 1. Justificativa
- Depois da eliminação da varíola, da certificação da eliminação da poliomielite e
da eliminação da circulação autóctone do vírus do sarampo, através da Resolução
CD44 R1, de setembro de 2003, os países das Américas estabeleceram durante a
44a reunião do Conselho Diretor da OPAS a meta de “Eliminação da Rubéola e
da Síndrome da Rubéola Congênita (SRC)” nas Américas para o ano 2010.
Diversos estudos demonstraram que sem uma estratégia de eliminação da rubéola
seriam esperados 20.000 casos de SRC ao ano na Região das Américas. Pelo
elevado custo associado à atenção de casos de SRC, alta eficácia e baixo custo da
vacina contra a rubéola, o custo benefício da estratégia de vacinação é estimada
em 12:1 (Intervalo 8:1 a 16:1). 1,2 estima-se que o custo da atenção médica de
uma criança com SRC está entre 120 a 200 mil dólares durante toda sua vida.
Esse número seria incrementado se fossem considerados os custos diretos e indiretos
que a incapacidade decorrente da SRC gera para a sociedade.
Os países da região mostraram um progresso notável para a interrupção da
transmissão endêmica do vírus da rubéola. No fim do ano de 2006, 40 países
(91%) e territórios (o que representa 90% da população da região) haviam utilizado
estratégias de vacinação de eliminação mediante campanhas de vacinação
em massa de crianças que freqüentam a escola, adolescentes e adultos, dirigidas
a interromper rapidamente a transmissão do vírus da rubéola e prevenir a Síndrome
da Rubéola Congênita.
A repercussão na redução da incidência de rubéola e da SRC foi mais observada
nos países que vacinaram os homens e as mulheres em suas campanhas. Além
de interromper a transmissão da rubéola, as campanhas de vacinação em massa
contribuíram para a consolidação da eliminação do sarampo (Figura 1).
A análise da situação epidemiológica e a estimativa da coorte de população não
vacinada, demonstrada no estudo das coortes vacinadas contra rubéola, desenvolvido
no Brasil, definiu a necessidade de ser estabelecida a realização de uma
campanha nacional de vacinação para homens e mulheres, tendo como objetivo
final buscarmos esgotar a totalidade da população ainda suscetível, para que seja
interrompido a circulação do vírus da rubéola no País.
A estratégia de Campanha, programada para agosto-setembro de 2008, terá
como alvo a população de 69.700.329 homens e mulheres, onde se encontram
grande proporção de não vacinados. As ações serão diferenciadas com relação as
faixas etárias nos estados, bem como quanto ao tipo de vacina aplicada. A orientação
é de que a aplicação da vacina seja indiscriminada, independentemente do
antecedente de vacinação ou doença.
Deverão receber a vacina dupla viral (DV) (sarampo e rubéola), 61.875.626
pessoas de 20 a 39 anos de todo o País, e a vacina tríplice viral - VTV (sarampo,
caxumba e rubéola), 7.824.703 pessoas de 12 a 19 anos dos estados Maranhão,
Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte e toda a população
indígena aldeada do País.
Plano de ação – Campanha Nacional de Vacinação para Eliminação da Rubéola no Brasil, 2008
Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte e toda a população
indígena aldeada do país.
Para assegurar o êxito da campanha, é preciso uma fase de organização e programação
detalhada e execução durante cinco semanas. Fatores determinantes do
êxito desta campanha são: o apoio político e a organização por níveis de gestão,
a microprogramação local com estratégias diferenciadas de captação da população
(em estabelecimentos públicos e privados, transeunte, concentrada e casa
a casa), o desenvolvimento de uma estratégia de mobilização e de comunicação
social que sensibilize e informe à população alvo da campanha a garantia de
vacinação segura e de respostas rápidas a crises, o desenvolvimento de sistemas
de informação oportunos e o monitoramento e avaliação final de coberturas em
todos os municípios.
A vigilância epidemiológica e laboratorial integrada do sarampo, rubéola e SRC
será a estratégia que permitirá documentar a ausência de circulação do vírus e a
consecução da meta de eliminação da rubéola para o ano de 2010. Durante a 27ª
Conferência Sanitária Pan-Americana e a 59ª sessão do Comitê Regional, realizada
em outubro de 2007 em Washington D.C., foram reconhecidos os avanços
alcançados e aprovada a formação de um Comitê Técnico responsável pela documentação
e comprovação da interrupção da transmissão do vírus endêmico
do sarampo e da rubéola nas Américas.
- 2. Situação epidemiológica da rubéola no Brasil
-
A estratégia que o Brasil utilizou para implantação da vacina tríplice viral foi a
modalidade de campanhas estaduais realizadas de modo gradativo. Iniciando
em 1992 teve sua implantação completada em todo o País no ano de 2000. Inicialmente
a vacinação foi destinada a crianças de 1 a 11 anos de idade, posteriormente
foram realizadas as campanhas para as mulheres em idade fértil (MIF)
(Figura 2).
Como resultado da vacinação, foi reduzida a circulação do vírus da rubéola e identificada
uma mudança no padrão de incidência da doença por grupos de idade (Figura
3). A partir do ano de 2001, a taxa de incidência de rubéola, em homens e mulheres,
foi superior no grupo de 20 a 29 anos quando comparada com os grupos de menor
idade. Esse deslocamento da susceptibilidade para os grupos em idade fértil é mantido
até momento, com uma taxa inferior na população feminina.
A redução na incidência de rubéola em mulheres é resultado das ações de vacinação
realizadas no Brasil a partir de 2001, mediante um plano de vacinação em
duas fases, usando a vacina dupla viral com o objetivo de acelerar a prevenção
da SRC. A primeira fase foi executada em 13 estados em novembro de 2001,
dirigida a 15 milhões de mulheres em idade fértil (MIF).
A faixa etária a vacinar foi definida para cada estado, mas, em geral, a população
alvo da campanha foi de mulheres de 12 a 39 anos de idade. A segunda
fase ocorreu em outros 14 estados, em 2002. A cobertura vacinal das duas fases
foi 93,5%; não foi homogênea em todos os municípios, acumulando um grupo
de suscetíveis que contribuiu para o surto de rubéola em 2006 e 2007.
Esse conjunto de ações de vacinação dirigido a diversos grupos etários provocou
importante redução na incidência da doença e modificou o ciclo dos surtos de
rubéola. No entanto, com tais medidas, não se conseguiu interromper a circulação
do vírus da rubéola, como se mostra na Figura 4.
No ano de 2006, a partir da Semana Epidemiológica (SE) 33, houve aumento
significativo do número de casos confirmados de rubéola. Os surtos ocorreram
nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. A disseminação do vírus ocorreu
por todo o ano de 2007 afetando 20 dos 27 estados, totalizando 8.156 casos
confirmados, distribuídos principalmente nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e
Centro-Oeste (Figura 5). O vírus identificado foi do genótipo 2B.
Com relação à ocorrência de casos de SRC (Figura 6), a taxa mais elevada (3,3
por 100.000 crianças menores de 1 ano de idade) foi em 2001 com 72 casos confirmados.
As estratégias de imunização para MIF reduziram o número de casos
de SRC, entre os anos de 2002 a 2006, porém, em 2007, 12 casos foram confirmados
pelo critério laboratorial.
Em 2006, foi realizado no País um estudo da coorte não vacinada para rubéola.
As análises foram realizadas utilizando a base de dados do SI-API (Sistema de
Informação de Avaliação do Programa Nacional de Imunizações), que contém
o registro das doses de vacina dupla e tríplice viral aplicadas, agrupados por
faixa etária de interesse e estratégias de rotina e campanhas realizadas de 1997
a 2006.
Como denominador foi empregada a população estimada pelo IBGE e calculada
a cobertura vacinal administrativa por sexo, desde o ano de implantação da vacina
contra rubéola até o ano de 2006. Tendo em vista que as faixas etárias alvo da
vacina nas campanhas iniciais e a implantação de TV na rotina foram diferentes
por estado, ou seja alguns introduziram a vacina em anos anteriores a 1997, as
análises das coberturas das coortes foram realizadas, separadamente, para cada
um dos estados.
A Figura 7 mostra os dados em nível nacional, indicando que os grupos de não
vacinados estão localizados na faixa etária acima de 20 anos de idade. Essa proporção
é de 61% no grupo dos homens de 21 a 25 anos, e atinge o percentual de
94 a 98% a partir desta idade. Apesar de se observar em mulheres uma menor
proporção de não vacinadas, pois foram objeto das campanhas anteriores, é possível
observar um acúmulo de “não vacinadas” que, no grupo de 36 a 40 anos,
alcança uma cifra de 62% (n= 4.376.617 de mulheres).
A partir desses resultados, definiu-se que Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais,
Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte irão vacinar a população de 12 a 39
anos de idade, de ambos os sexos.
- 3. Objetivos
- Interromper a transmissão endêmica do vírus da rubéola mediante a realização
de uma campanha nacional de vacinação nas coortes dos homens e das
mulheres dos grupos de idade identificados com maior nível de susceptibilidade
à rubéola no Brasil.
Atingir nos grupos de adultos os suscetíveis para o sarampo, para que se consolide
a estratégia de eliminação desta doença no Brasil.
Alcançar a meta de eliminação da rubéola e da SRC estabelecida para a região
das Américas no ano 2010.
- 4. Meta
- Alcançar coberturas de vacinação ≥ 95% em todos os municípios do Brasil para
os seguintes grupos de idade:
- Homens e mulheres de 20 a 39 anos das 27 unidades federadas do Brasil, vacinando
com dupla viral (sarampo e rubéola).
- Homens e mulheres de 12 a 19 anos de cinco unidades federadas: Maranhão,
Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, vacinando
com tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola).
- 5. população alvo
-
- 6. Período da campanha
- A campanha será realizada durante o período de 9 de agosto a 12 de setembro de
2008, com duração de cinco semanas. O lançamento será no dia 9 de agosto com
ampla mobilização e acontecerá simultaneamente com a segunda etapa do Dia
Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. Neste dia, o enfoque da vacinação
será a Vacinação da Família. O dia central da campanha nacional será 30 de
agosto de 2008, um sábado, para permitir que a população alvo (idade economicamente
ativa) possa ter acesso à vacinação.
A vacinação dos povos indígenas terá uma ação diferenciada, já iniciada no mês
de abril. Essa estratégia vem sendo realizada anualmente para alcançar os povos
que residem em locais de difícil acesso geográfico. O sucesso obtido nos últimos
anos, através do resgate e vacinação de resíduo de suscetíveis, permite demonstrar
o avanço na proteção da população indígena.
Como o acompanhamento da vacinação da população indígena se faz através
do registro nominal de cada aldeia, as doses das vacinas aplicadas serão consideradas
como dose de campanha e o histórico da vacinação anterior será considerado
como dose válida. A campanha nesta população será seletiva e a vacina
utilizada será a VTV.
- 7. Estratégias de campanha
- Considera-se que para o desenvolvimento da campanha nacional de vacinação
será fundamental:
- Todas as esferas de gestão deverão assumir compromisso político com esta
campanha como ação prioritária para saúde pública.
- Mobilização e participação ampla de todos os segmentos da sociedade.
- Articulação das instituições do setor saúde com as de educação, trabalho,
turismo, empresas públicas e privadas, sociedades científicas e acadêmicas,
entre outros.
- Organização e programação detalhada do plano de ação, até a microprogramação,
por município, com acompanhamento dos planos locais.
- Implementação da campanha por fases, iniciando com a vacinação nos postos
fixos e lugares de alta concentração, estendendo para a clientela institucionalizada.
Posteriormente à campanha, realizar a vacinação casa a casa, quando
indicada. A última estratégia pode ser complementada com monitoramentos
rápidos de cobertura.
- Comunicação social efetiva para informar a população sobre a campanha e
sensibilizar os não vacinados.
- Capacitação para assegurar que os profissionais das instituições de saúde (e
de outros setores participantes da campanha), estejam aptos a desenvolver um
adequado planejamento e implementação da campanha, garantindo a eficácia
e a segurança da vacinação.
- Vigilância da vacinação segura realizada por profissionais identificados que
permitirão dar respostas rápidas a situações específicas de crises, relacionadas
a eventos supostamente atribuíveis à vacinação.
- Utilizar o sistema de informação oportuno que permita monitorar o avanço
das coberturas e o alcance da meta de vacinação.
- Realização de monitoramento de cobertura em diferentes momentos da execução
da campanha e avaliação das coberturas municipais.
- 8. Fases da campanha
- A Figura 8 ilustra que a primeira fase é dirigida a captar a população em lugares
de concentração. Embora um período de execução de cinco semanas seja estabelecido,
sua duração poderá variar segundo as características de concentração
e/ou dispersão de populações nas comunidades urbanas e rurais.
O dia 30 de agosto será considerado o Dia Central e tem como finalidade mobilizar
e identificar pessoas que não foram vacinadas até esta data. Por ser um
sábado, a população alvo (trabalhadores e estudantes) disporá deste dia para ter
acesso ao serviço de vacinação.
A última semana da campanha terá uma chamada adicional dirigida à população
que ainda não foi vacinada. Na etapa final se realizará um avaliação de coberturas
com metodologia de verificação final do alcance da meta de vacinação
nos municípios, de acordo com os resultados de análise local.
As modalidades de vacinação são diferenciadas em todas as fases, mas complementares
entre si e adaptadas às realidades dos níveis locais, como se descreve
a seguir:
- Vacinação em estabelecimentos de saúde: a oferta da vacina será mantida em
todos os serviços de saúde que realizaram a vacinação para atender à demanda
espontânea. É recomendável durante a campanha ampliar os horários de
vacinação, se possível.
- Vacinação em trânsito e em lugares de alta concentração: mercados, centros
comerciais, shoppings, portos, aeroportos, rodoviárias, estações de metrô, paradas
de ônibus, centros recreativos, igrejas, entre outros. Esta modalidade
permanecerá ativa durante toda a campanha, enquanto demonstre ser efetiva
para identificar pessoas não vacinadas e poderá ser necessário estabelecer horários
especiais, de acordo com cada realidade.
- Vacinação de populações institucionalizadas: serão identificadas previamente
durante o processo de microprogramação. Esta população se encontra
nas empresas, instituições públicas, colégios, universidades, fábricas, entre
outras.
- Vacinação casa a casa: a finalidade é ofertar a vacina às pessoas que por diferentes
motivos não foram vacinadas. Nessa atividade é importante consultar
a comunidade para viabilizar as visitas nos horários em que as pessoas se encontram
em casa.
- Vacinação durante o pós-parto ou pós-aborto: As mulheres grávidas na época da
campanha deverão ser vacinadas imediatamente ao pós-parto ou pós-aborto.
- 9. Organização e planejamento
- O Plano de Ação da Campanha e suas estratégias programadas deverão ser implementados
em cada um dos níveis de gestão, como mostra a Figura 9.
Para o êxito da campanha, o Comitê Técnico Assessor em Imunizações (CTAI)
e as sociedades científicas, enquanto segmentos importantes nas consultas técnicas,
deverão ser parceiros constantes em todas as fases de campanha, desde o
microplanejamento até a avaliação final da mesma.
- 10. Microprogramação
- Para identificar a população alvo e conseguir a meta ≥ 95% dos homens e das
mulheres de todos os municípios, é fundamental ter informação sobre a população
institucionalizada, assim como dos locais de concentração e de alto trânsito,
para programar os serviços de vacinação. O primeiro passo é o mapeamento que
setoriza ou agrupa “geograficamente” os bairros ou localidades e define as referências
de todas as unidades de saúde, com a finalidade de programar adequadamente,
no que diz respeito ao suprimento de insumos para a vacinação.
É necessário elaborar a relação de todos os locais com populações a vacinar em
estratégias extramuros, com os respectivos horários disponíveis para visitá-los.
Esse trabalho requer a articulação da coordenação com empresas e instituições
de diversos setores, assim como a formação de alianças estratégicas com organizações
governamentais e não governamentais, conselhos comunitários, dentre
outros. Para desenvolver a microprogramação, as equipes locais contarão com
matrizes programáticas de instrumentos padronizados.
- 11. Imunobiológicos, logística e insumos
-
Na população de 20 a 39 anos se administrará a vacina dupla viral, composta
por vírus da cepa Wistar RA 27/3 de rubéola e da cepa Edmonston Zagreb
do sarampo. Ambos os vírus são atenuados através de passagens sucessivas por
cultivos celulares, usando fibroblastos diplóides humanos. Esta vacina será adquirida
por meio do Fundo Rotatório da OPAS, cujo laboratório produtor é o
Serum Institute.
A vacina tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola que se aplicará na
população de 12 a 19 anos de idade contém as cepas Wistar RA27/3 do vírus
atenuado da rubéola, Schwarz de sarampo e RIT 4385 derivado da Jeryl Lynn
do vírus da caxumba. Essa vacina será fornecida pelo Instituto de Tecnologia em
Imunobiológicos Bio-Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz.
Para a distribuição dos imunobiológicos e dos insumos a cada nível, levar-se-á
em consideração a capacidade de armazenamento dos imunobiológicos disponíveis
em todos os estados e municípios, assim como as rotas de acesso para
organizar centros de coleta e distribuição dos insumos. Durante a campanha,
frascos de dose múltipla serão empregados com 10 doses, em que uma dose de
0,5 ml é extraída e se aplica por via subcutânea no terço superior externo do
braço. Estima-se uma porcentagem de perda de 20% para o cálculo de doses da
vacina. A partir do cálculo da meta a vacinar, serão estabelecidas as cotas e o
cronograma de entrega para todos os estados.
- 12. Vacinação segura
- O componente de vacinação segura deste tipo de campanha incorpora vários
aspectos. A realização de práticas de vacinação segura é um elemento indispensável
ao dotar os insumos apropriados, capacitar e supervisionar o pessoal de
saúde, além de manipular adequadamente os resíduos de vacinação (seringas,
agulhas,algodão, etc.). O emprego de técnicas, manuais e instrumentos padronizados
de supervisão são ferramentas importantes para evitar erros programáticos.
Durante a campanha de vacinação, a vigilância de Eventos Adversos Pós-Vacinação
(EAPV) será ampliada devido ao incremento no número de pessoas vacinadas.
Considera-se importante salientar que facilmente poderá ser atribuído
à vacina qualquer sinal ou sintoma originado por outras causas, em indivíduos
vacinados.
Embora a vacina não tenha efeitos teratogênicos no feto, não é indicado seu uso
durante a gestação. Nas situações em que ocorrer a vacinação em gestantes,
é imprescindível fazer o registro e o acompanhamento dessas mulheres, através
do protocolo definido e recomendado pelo Ministério da Saúde.
O Ministério da Saúde, através da Anvisa, RDC nº 153, de 14 de junho de 2004,
orienta que as pessoas após receberem vacinas de vírus vivos atenuados não devem doar
sangue por período de quatro semanas. Considerando que a maioria de doadores
está nos grupos de idade incluídos na população alvo da campanha de vacinação
(20 a 39), e para evitar uma possível escassez de oferta de sangue durante o período
da campanha, deve-se estabelecer uma coordenação prévia e um trabalho
integrado com os responsáveis pelos hemocentros. Os doadores de sangue cadastrados
poderão ser orientados e chamados para doar sangue antes de receberem
a vacina.
É necessário instituir as equipes para dar respostas rápidas e acertadas referentes
aos EAPV e para o manejo de crise. Neste particular contamos com os membros
do Comitê Técnico Assessor de Imunizações, Sociedades Científicas e comunicadores
sociais que assessoram a interlocução com os meios de comunicação
para a informação à população.
- 13. Mobilização social
- O desenho da estratégia de mobilização social deve contemplar tanto a necessidade
de se captar grupos de população diversos em uma só campanha de vacinação,
como estabelecer estratégias específicas para cada um desses grupos. As
mensagens devem ser diferenciadas de acordo com as estratégias da campanha e
das fases de execução da mesma. As atividades de mobilização social são realizadas
no nível nacional, bem como nos níveis estaduais e municipais.
A articulação intersetorial, com as áreas do trabalho e educação principalmente,
facilitará a microprogramação e a vacinação em instituições de ensino e em locais
de trabalho. É de suma importância a integração com instituições formadoras
de recursos humanos em saúde, educadores, forças armadas e policiais para
ter disponível número suficiente de vacinadores, registradores e outros colaboradores
locais.
Para implementar um plano de mobilização efetivo, deve-se projetar uma estratégia
de comunicação social que empregue diversos meios para difusão da
campanha. A mensagem deve deixar claro o risco que os adolescentes e adultos
enfrentam, tanto os homens como as mulheres, por não estarem vacinados. Importante
envolver líderes e personagens reconhecidas pela sociedade que possam
influenciar positivamente o público-alvo.
- 14. Sistema de informação
- A informação oportuna e de qualidade permitirá traçar ajustes e correções durante
e depois da campanha, para o alcance da meta de cobertura vacinal. Será
disponibilizada uma ferramenta de consolidação de dados via internet, por município,
utilizando o código de cada município e estado, fornecido pelo IBGE, para
identificação no sistema de informação. Esta estará disponível por meio do site
http://pni.datasus.gov.br.
Essa ferramenta foi construída em conjunto pela equipe
do Datasus Regional do Rio de Janeiro e a gerência de informações do PNI.
Os dados serão coletados por sala de vacina, com boletim padronizado para os
5.564 municípios, com informações diferenciadas por sexo, faixa etária de 12 a
14; 15 a 19; 20 a 29 e 30 a 39 anos de idade para os estados de MA, MT, MG, RJ
e RN, e os demais estados de 20 a 29 anos e 30 a 39 anos de idade.
Posteriormente os dados consolidados deverão ser digitados no sistema de Avaliação
do Programa de Imunizações (on-line) por município. Todos os responsáveis
pela informação em cada município terão acesso ao sistema por meio de senha
criptografada pelo Datasus, que permitirá a digitação pelo código do IBGE, de
cada local acessível pela tabela do sistema.
Os resultados preliminares e finais da campanha serão apresentados via acesso
ao site. Os dados deverão ser digitados por sala de vacina e por município no
sistema API informatizado, cumprindo o fluxo estabelecido de envio por meio
do município, regional, estado e país, garantindo a informação descentralizada
em todos os níveis de prestação de serviço, o que permite a análise e a tomada de
decisão nas fase de execução e avaliação da campanha, pelos níveis periféricos.
- 15. Capacitação
-
Para facilitar a capacitação e a padronização dos conteúdos, a equipe do nível
nacional elaborou uma série de documentos impressos e em meio eletrônico
para as equipes do nível estadual e municipal que contém as estratégias programáticas,
apêndices e orientações ao vacinador e ao supervisor.
A capacitação se iniciou com um encontro nacional com as equipes do nível
estadual para discutir a campanha e para estabelecer um plano de trabalho com
os estados, que contemplasse cada um dos componentes da campanha: microprogramação,
vacinação segura, sistema de informação, logística e rede de frio,
supervisão, monitoramento e avaliação.
Neste processo foram capacitados monitores nacionais e estaduais para colaborar
com as capacitações descentralizadas e com as supervisões nos estados.
Serão desencadeados encontros regionais sucessivos com os estados, para capacitar
as equipes e discutir os avanços na programação e na organização da
campanha, assim como reforçar alguns aspectos-chave para as diferentes etapas
de planejamento da mesma. Cada estado deverá reproduzir a capacitação em
seus municípios.
- 16. Supervisão
- Neste tipo de campanha é importante estabelecer a supervisão por níveis, de
acordo com as fases de execução da campanha: durante a organização e programação,
durante a execução e na finalização da campanha. Os supervisores
nacionais da campanha e assessores estaduais colaborarão nas capacitações e
supervisões, monitoramento e avaliação das coberturas vacinais junto aos coordenadores
estaduais.
- 17. Monitoramento e avaliação
- Em campanhas de eliminação de doenças imunopreveníveis e em face da diversidade
de modalidades de vacinação de adultos, é necessário realizar um monitoramento
e uma avaliação final para verificar o alcance da meta de cobertura
de vacinação ≥ 95%.
Ao ser concluída a campanha, será elaborado um relatório final incluindo os
resultados do processo de verificação de coberturas vacinais. Se for constatado
que o País alcançou a meta de vacinação da campanha ≥ 95%, a OPAS entregará
oficialmente ao Presidente da República e ao Ministro da Saúde uma certificação
indicativa do alcance da meta. Deverá ser marcada uma reunião oficial na qual o
Ministro da Saúde apresentará os resultados da campanha, junto com as Secretarias
Estaduais de Saúde e representantes do Conselho Nacional de Secretários
de Saúde (CONASS), Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde
(CONASEMS) e parceiros da campanha.
- 18. Cronograma
- Clique aqui para visualizar o cronograma.
- 19. Orçamento
-